Visite nosso canal no YouTube:

Visite nosso perfil no Facebook:


Siga-nos no Twitter:


 

Joelho de Porco, clássico ao vivo 

 

     ”"Agora vou cheirar ‘rapé’, que esta poeira não está dando pé!"

Este era o carro chefe naquele final de 1978. Vestibular chegando, o colégio nos segurando de 7 da matina às 7 da noite, a ditadura militar correndo solta, e o Joelho de Porco faria nova temporada no teatro Thereza Rachel, o Therezão, em Copacabana.

Os shows iriam do dia 18 ao dia 30 de dezembro....

        

 

        Escolhemos o dia 26, após a passagem de Papai Noel, para termos uma noite de "muito som e curtição" (ah ... as gírias da época!). Os jornais estampavam as fotos promocionais do grupo, maquiados como o KISS, exatamente como no ano anterior. A única mudança era nos ternos, agora brancos, em contraste aos pretos de 1977.

        O Joelho de Porco foi um dos pioneiros do humor no rock brasileiro, chegando a apregoar o punk antes dele ter virado ‘moda’ no Brasil. Veja no final deste artigo as formações do grupo.

 

        Como eu e meu eterno cúmplice de rock’n’roll, Robert, nos metíamos a escrever um jornalzinho de música no colégio, repleto de Purple, KISS, Sweet, Rush, Zeppelin, etc, chegamos de tarde no Therezão, para uma ‘entrevista’ com o grupo. Na maior ‘cara dura’, sem conhecer ninguém.

        Para nossa surpresa, o grupo havia mudado completamente desde a turnê do ano anterior. Nos vocais continuava o argentino Billy Bond, com toda sua loucura e bom humor, ex-integrante do grupo Humauaca e que tinha em sua bagagem a produção do primeiro disco-solo de Ney Matogrosso. No baixo e vocais, o único membro das primeiras formações do Joelho, o paulista Tico Terpins, egresso da segunda formação dos Baobás, quando entrou na vaga de Arnolpho Lima ‘Liminha’ Filho, futuro Mutantes. E pronto... os demais integrantes eram novidade misturada com surpresa.

        Os membros do Casa das Máquinas, importante grupo de ‘Glam/Glitter Rock’ brasileiro que havia sido dissolvido por causa de um infeliz incidente envolvendo o grupo e funcionários da TV Tupi, agora estavam no Joelho de Porco. Na bateria, Netinho (The Clevers, Os Incríveis), na guitarra, Pisca, e nos teclados, Marinho.

        O único músico que apareceu para ensaiar cedo foi Pisca. Demonstrando uma enorme competência e profissionalismo, ele regulou o som de sua guitarra, testou a talk-box (ecos de Peter Frampton) e, em seguida, afinou a bateria de Netinho, deu altos solos, passou para o baixo, regulou tudo, enfim, preparou o show (tudo ficou gravadinho em meu fiel K-7). Logo chegaram Netinho e Tico Terpins, depois Billy e por último Marinho. Que entrevista que nada, assistimos ao grupo detonar ‘Day Tripper’, ‘Satisfaction’, clássicos do ‘Brazilian Rock’ e, pasmem, até músicas do Joelho de Porco. Foi hilário ouvir um dos músicos gritar: "Pô, cadê a minha maconha?" Ele estava falando de um "tijolo" que Tico havia escondido atrás de nossas cadeira.

        Felizes com o que ouvimos, partimos para um merecido banho e preparação para a ‘noitada’. Nova fita foi colocada em meu K-7, bem como um rolinho novo de filme foi para a minha querida Olympus. Trouxemos à tiracolo mais dois colegas do colégio. Um maluco como nós, Santiago, e outra fazendo seu debut no rock and roll, Carla.

        Estávamos parados na fila para entrar, quando Netinho me reconhece e fala: "pode vir, entra com a gente". Mas faltava um maluco e ficamos ali, junto com a massa que já urrava. Entramos e nos aboletamos na quinta fila. O Therezão era demais, totalmente tosco, desprovido de luxos, paredes nuas, palco baixinho mas com uma vibração inesquecível. Grandes shows aconteceram lá, de Mutantes a Novos Baianos, passando pelo Terço, Rita Lee & Tutti Frutti, Made In Brazil, etc...

        No som ambiente, uma musiquinha caipira ecoava, ‘Trota trota cavalinho, vem depressa, vem depressa, trazendo o meu benzinho...’ E a galera urrava. De repente, apagam-se as luzes. Gritaria geral, assobios, e a dúvida de como será o show. Punk como o do ano anterior, com brigas entre Billy e a platéia?

        De repente, Marinho começa a tocar uma ensurdecedora introdução, sideral, viajante, idêntica a que fazia com o Casa das Máquinas. Seu sintetizador fazia as paredes do Therezão tremerem. Na penumbra, vemos os músicos parados, e a maconha no teatro fazia lembrar o fog britânico. Mas a introdução demorava e começaram os apupos: "Como é que é porra? Começa f.d.p.! F.D.P., F.D.P."

        Era a ovação que o Joelho esperava. Começava ‘São Paulo By Day’. Netinho e Pisca roubaram a cena logo de início com belos solos dos dois. Depois seguiram-se ‘O Rapé’, ‘Outra Volta’, ‘Aeroporto de Congonhas’ e a pausa para Billy apresentar os músicos. O cantor era um caso à parte, com presença de palco e senso de humor que faziam dos shows do Joelho uma experiência inesquecível.

      Depois, veio ‘Feijão Com Arroz’ e a talk-box de Pisca nos brindou com belos solos e pérolas do tipo "Vai tomar no c., seu f.d.p." E a galera delirava, este era o Joelhão!!! Depois, um alienígena na platéia atirou uma garrafa no palco. Billy mandou o canhão de luz iluminar o celerado e convidou-o a subir no palco. Alguns elogios ao rapaz e sua mãe foram gentilmente proferidos pelo roliço cantor, que logo devolveu-o com muita delicadeza de volta à platéia.  

      Na seqüência, veio ‘México Lindo’ (originalmente chamada Golden Acapulco), ‘Rio de Janeiro City’ e ‘Boeing 723897’. De nada adiantaram os gritos de ‘Mardito Fiapo de Manga’. O Joelho encerrou o show, deixando todos com aquela sensação de "comi e quero repetir". E foi o que fizemos no dia seguinte...

 

FORMAÇÕES:

1a Formação (1966-1972): João Paulo de Almeida (vocais e violão), Flávio Gasparini (guitarra), Gerson Tatini(baixo), Próspero Albanese (bateria), Celso ("sanfona muda")

2a Formação (1972-1973): Próspero Albanese (vocais e bateria), Tico Terpins (violão, guitarra, e voz), Gerson Tatini (guitarra, alguns meses de 1972), Rodolfo Ayres Braga (baixo) e Conrado Assis Ruiz (guitarra, piano e vocais).

3a Formação (1973-1975): Próspero Albanese (vocais e bateria), Tico Terpins (violão, guitarra, e voz), Rodolfo Ayres Braga (baixo), Conrado Assis Ruiz (guitarra, piano e vocais) e Walter Baillot (guitarra e violão).

4a Formação (1975): Tico Terpins (baixo e vocais), Próspero Albanese (vocais), Walter Baillot (guitarra e violão) e Flavio Pimenta (bateria).

5a Formação (1976): Tico Terpins (baixo e vocais), Ricardo Petraglia (vocais, em alguns shows), Walter Baillot (guitarra e violão) e Flavio Pimenta (bateria).

6a Formação (1976): Tico Terpins (baixo e vocais), Billy Bond (vocais), Walter Baillot (guitarra e violão) e Flavio Pimenta (bateria).

7a Formação (1977): Tico Terpins (baixo e vocais), Billy Bond (vocais), Mozart Mello (guitarra e violão), Juba Gurgel (bateria) e Dino Vicente (teclados).

8a Formação (1978): Tico Terpins (baixo e vocais), Billy Bond (vocais), Pisca (guitarra e talk-box), Netinho (bateria) e Marinho (teclados).

9a Formação (?) (1979): Billy Bond (vocais), Pisca (guitarra e talk-box), Netinho (bateria), Lee Marcucci (baixo) e Marinho (teclados).

10a Formação (1983-1998): Tico Terpins, Próspero Albanese, Zé Rodrix, David Drew Zingg e convidados.

 

Nota1: Tico Terpins faleceu em 1998 e Zé Rodrix em 2009.

Nota2: Próspero Albanese, Conrado Assis Ruiz, Rodolfo Ayres Braga mais Franklin Paollilo e João Paulo Almeida tocaram como "Joelho de Porco" na Virada Cultural de SP, em 2009.

 

 

 

 

 

 

   

DISCOGRAFIA

- CS - Se Você Vai de Xaxado, Eu Vou de Rock And Roll / Fly America (Sinter-Phonogram) – 1973 :: gravado com a segunda formação. Detalhe: Arnaldo Baptista produziu as gravações e tocou sintetizador em Fly America.

- LP – São Paulo – 1554/Hoje (Crazy CGE 121 007) – 1976 :: gravado com a quarta formação

- CS – O Rapé / Feijão Com Arroz (Som Livre 961.0024) – 1978 :: gravado com Tico Terpins (baixo), Billy Bond (vocais), Wander Taffo (guitarra), Mozart Mello (guitarra) e Juba Gurgel (bateria)

- LP – Joelho de Porco (Som Livre 403.6147) – 1978 :: gravado com Tico Terpins (baixo), Billy Bond (vocais), Wander Taffo (guitarra), Mozart Mello (guitarra) e Juba Gurgel (bateria)

- CS – Outra Volta / O Rapé (Som Livre 401.6137) – 1978 :: lado A gravado com a oitava formação. Lado B, o mesmo do CS e do LP acima

- LP - Saqueando A Cidade (Alvorada 2.07.502.001/2) - 1983 :: gravado com Tico Terpins, Próspero Albanese, Zé Rodrix e convidados

- LP - 18 Anos Sem Sucesso (Eldorado 131.88.0537) - 1988 :: gravado com Tico Terpins, Próspero Albanese, Zé Rodrix, David Drew Zingg e convidados

 
 
Copyright 2017
Todos os direitos reservados a Pugialli Produções Artísticas Ltda.
Site melhor visualizado em 1024 x 768