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Steve Priest

     "O Amargo Gosto do Sucesso" (entrevista concedida em Março de 2002)

 

   

        Esqueça o Slade, David "Ziggy Stardust" Bowie, Gary Glitter, Marc Bolan, Brian Ferry ou Suzi Quatro. Se alguém encarnou o Glitter Rock, este alguém foi o grupo Sweet. De promissora banda pop, com sucessos na Inglaterra, Europa, América do Sul e Ásia, este grupo inglês surpreendeu o mundo aparecendo no Top Of The Pops, da BBC1, travestidos, maquiados, purpurinados, afeminados, cantando em falsete e levando as meninas ao delírio. Hot pants agora não eram mais exclusividade feminina. Que o diga Steve Priest.

   
        E ele diz isso e muito mais, na primeira entrevista que um membro do Sweet concede para o Brasil, desde sua estréia, em 1968! Uma exclusividade para o site "SenhorF". Com o recente falecimento do baterista original do grupo, Mick Tucker, em 14 de Fevereiro de 2002, devido à complicações de sua leucemia, não toquei no assunto com Steve. Ele era muito chegado ao amigo e ficou muito abalado. Por coincidência, estávamos falando por e-mail sobre Mick nas semanas anteriores ao ocorrido.
   

Dono de uma bela voz, ele dividia os vocais com Brian Connolly no grupo, além de contribuir com um belo trabalho de baixo, fraseados, melodias, solos, tudo para acompanhar o baterista mais foda do mundo. Aproveitem esta rara oportunidade de conhecer detalhes da história do grupo contados pelo mais controverso e, ao mesmo tempo, mais sensato membro do Sweet!

 

Pugialli - Steve, nesta primeira entrevista de um membro do Sweet para o Brasil, eu gostaria de começar perguntando o que a palavra Brasil traz para você, assim de primeira? Você já escutou nossa música?

Steve Priest: Eu amo a idéia de visitar o Brasil um dia. Tive contato recentemente com a música Latina e gostei de verdade. Quero colocar uma faixa em meu novo CD com este “sentimento”.

 

P - Vocês naturalmente sabiam do sucesso de Co-Co e Poppa Joe em lugares como Ásia e Europa, em 1971-72. Mas você sabia que elas tocaram bastante nas rádios brasileiras no início dos anos 70? Qual a idéia que vocês tinham do alcance de sua música pelo mundo?

S - Sim, eu sabia vagamente do sucesso, mas nós nunca pudemos excursionar por estes países. Mau gerenciamento por parte de nossos empresários, como sempre.

 

P - Quando vocês decidiram tocar nos lados A de seus compactos, em 1973, vocês também pensaram na mudança da imagem ou foi “sugestão” de Batman e Robin (apelido que Steve deu para a dupla de compositores Mike Chapman e Nicky Chinn, que controlava a carreira do grupo)?

S - Na verdade foi Chapman que falou com Chinn e Wainman (Phil, o produtor dos discos do grupo) sobre tocarmos nos lados A. Tivemos que regravar a base de Little Willy para a “Musicians Union” antes de tocar no “Top Of The Pops”. Quando Chapman escutou o que fizemos, ele quis que tocássemos nos lados A desde então.

 

P - O Slade, por exemplo, tinha uma estratégia muito bem planejada para seus compactos, recordes a serem batidos, etc. Como o Sweet planejava seus lançamentos? As paradas de sucesso eram um objetivo ou uma conseqüência?

S - Acho que a estratégia era toda de “Ratman e Bobbin”, quero dizer "Chann e Chipman". Eles queriam ser estrelas e nos usaram

 

P - O Sweet tornou-se um grupo mais pesado logo após o lançamento do compacto Wig Wam Bam, em 1973. Vocês estavam preparados para o “monstro” criado com aquele novo som e imagem?

S - Nós sempre fomos uma banda que soava pesado. O lance do “Glam” veio por causa do “Top Of The Pops” e de como todos estavam ficando estúpidos na época.

 

P - O LP “Sweet Fanny Adams”, lançado em 1974, era um disco de hard rock, bem diferente dos compactos do período 71-72. E muitos grupos regravaram músicas deste disco. Uma das mais recentes foi Set Me Free, lançada no disco de estréia do ESP, grupo formado pelos ex-KISS Eric Singer e Bruce Kulick. Como você se sente a respeito da influência sobre tantos grupos ao longo destes anos? Você esperava por isso?

S - Eu fico lisonjeado quando alguém regrava uma de nossas músicas. Eu também estou bem consciente de nossas influências em outras bandas.

 

P - Lendo sua biografia e as reportagens publicadas ao longo dos anos, notamos que vocês sempre tinham problemas com o equipamento durante as turnês. Você acha que isso pode ter afetado a credibilidade do grupo como músicos ao vivo?

S - Nosso maior problema foi quando Brian foi atacado e chutado na garganta. E nossos críticos deitaram e rolaram quando nosso equipamento pifou.

 

P - Além do fato do Queen ter surgido cantando no mesmo estilo que o Sweet já fazia à cinco anos, vocês tiveram mais alguma “fricção” com os grupos daquele período ou havia uma “camaradagem” entre vocês (Bowie e seus Spiders, Slade, Status Quo, Marc Bolan, Suzi Quatro, etc)?

S - Nós nunca tivemos muito contato com outras bandas naquela época.

 

P - O LP “Desolation Boulevard”, também de 1974, foi igualmente um disco de heavy rock, mas encontramos baladas como Lady Starlight e The Six-Teens. Neste disco temos uma versão pesada de Fox On The Run. O que levou vocês a escolherem esta canção para o próximo compacto (lançado em 1975), e como vocês trabalharam na nova versão, cheia de sintetizadores?

S - Chinn e Chapman estavam tão “exaustos” que perderam o rumo, nos deixando sem um novo compacto depois do The Six-Teens. Decidimos encurtar Fox e lançá-la.

 

P - Este disco marcou também o fim do período “Glitter” do Sweet, certo? Isto foi planejado ou as coisas estavam mudando naturalmente?

S - Nós nunca fomos uma banda “glitter” ou “glam” realmente. Mas naturalmente é como somos lembrados. Foi um curto período na vida do grupo, e foi mais para “Monty Python” do que para “Gary Glitter.

 

P - Action, o segundo compacto de 1975, foi um bom exemplo da direção que o grupo estava indo, como produtores e artistas. Ela foi um grito contra os críticos, aproveitadores, detratores ou mesmo contra o vampirismo da “Chinebridge” (a empresa formada por Mike Chapman, Nicky Chinn e Phil Wainman)?

S - Sim, foi contra todos eles. Eu estava muito irritado que David Walker (o empresário do grupo) e todos os outros tinham belos escritórios e eu tinha praticamente nada! Bom, eu ainda estou aqui com três adoráveis crianças, sacou?

 

P - Apesar do LP Off The Record, de 1977, ter sido gravado apenas para finalizar o contrato com a RCA, ele era muito bom. Seu baixo está mais melódico, assim como Mick estava “batendo pra cacete”. Muitas músicas tinham grande potencial para shows, mas vocês não excursionaram em 1977. Por que?

S - Para falar a verdade eu não sei o que aconteceu. Excursionamos um pouco, mas o disco nunca decolou.

 

P - Sabemos que as drogas estavam estavam desempenhando um importante papel em suas vidas naquele momento. Como elas influenciaram os projetos passados e futuros?

S - Elas com certeza não são parte de minha vida agora e não o são por muitos anos. Elas com certeza NÃO ajudaram naquele momento, apesar de acharmos que sim.

 

P - O Punk estava acontecendo na Inglaterra. Como você os via naqueles dias?

S - Eu acho que nós começamos a atitude punk! O problema é que eles eram mais jovens e mais violentos.

 

P - O próximo LP, Level Headed, de 1978, foi na minha opinião seu melhor disco como músicos. Mas foi outra mudança em seu estilo. Vocês estavam procurando um estilo definitivo ou as mudanças eram naturais?

S - Naquela época não tínhamos a mínima idéia para onde ir musicalmente. Tínhamos que agradar os empresários e as gravadoras. Impossível.

 

P - Você concorda que com este disco o Sweet estava pronto para o sucesso definitivo nos Estados Unidos, se não fossem os problemas de saúde de Brian?

S - Eu acho que foi mais do que isso. Se nós tivéssemos ficado mais tempo excursionando por lá teria sido fantástico. Também devíamos ter aparecido mais na TV. O David Walker tinha medo de nos perder se fizéssemos sucesso nos Estados Unidos, e Andy queria o Brian fora da banda.

 

P - Como você recebia as críticas ao disco e o esforço perdido na sua promoção, por causa da “ausência” de Brian?

S - Eu nunca leio os que os críticos falam e nunca o fiz.

 

P - Foi difícil pedir para o Brian deixar o grupo e cuidar de sua saúde? Vocês esperavam tê-lo de volta?

S - Foi decisão dele sair.

 

P - Nesta época nós nunca mais ouvimos falar do Sweet no Brasil. Nenhuma notícia, reportagens, até mesmo lançamentos. Para nós, o Sweet havia acabado. Vocês pensaram em acabar com o grupo?

S - O Sweet acabaria oficialmente em 1981.

 

P - Mas o Sweet seguiu em frente, lançando mais um disco, Cut Above The Rest, em 1979. Agora você era o cantor principal. Você acredita que os problemas pessoais pelos quais você e Andy estavam passando atrapalharam os trabalhos?

S - Não totalmente. Eu acredito que nós escrevemos algumas de nossas melhores canções. Nossos problemas vieram depois.

 

P - Ao contrário do passado, agora vocês eram acusados de estarem copiando o Queen neste disco. Você concorda com estas críticas?

S - Como podíamos estar copiando o Queen se viemos primeiro?

 

P - E chegaram os anos 80 e o Sweet lançou mais um LP, Waters Edge. O que você acha daquele disco? Eu sei que você odeia Sixties Man, como música e como vídeo promocional. É engraçado, porque muitos fãs gostam da música.

S - Eu odiei aquela música na época e não agüento escutá-la hoje.

 

P - Foi difícil entrar numa nova década com uma posição tão diferente nas paradas? Este disco poderia ter sido chamado “O Canto do Cisne do Sweet”?

S - Sim, eu acho que aquilo foi o fim.

 

P - Você disse que uma platéia de 1.500 pessoas, na Inglaterra, era boa na época. Vocês ainda tinham este público nos shows por lá? E nos Estados Unidos?

S - Nós tínhamos audiências maiores do que essa na Europa e Inglaterra. Quando excursionamos com “Seger” (Bob Seger). O Sweet abriu os shows dele nos Estados Unidos, em 1978), nós ajudamos a trazer metade das 30 mil pessoas que iam aos shows.

 

P - Mas vocês foram em frente e, em 1982, lançaram um LP apenas na Alemanha, Identity Crisis. Aquilo foi o fim, certo? Como o comportamento de Andy contribuiu para sua decisão de deixar o grupo?

S - Não foi apenas Andy que fez a banda acabar. Chegou o fim.

 

P - De 1984 até hoje Andy ainda está tocando com seu Sweet, assim como Brian também teve seu Sweet, até 1997, quando faleceu. Como você viu o trabalho deles com o nome Sweet ao longo destes anos?

S - Não, o Andy teve carreira solo até 1985, quando me perguntou se eu queria me juntar a ele e Mick para fazer uma turnê na Austrália. Eu recusei já que me pareceu trabalho escravo.

 

P - Escutando as fitas da reunião da formação original, em 1988, podemos entender porque o projeto não seguiu adiante. Brian ainda estava em má forma. E na gravação de Ballroom Blitz temos algumas “adoráveis” mudanças na letra da famosa introdução. Você mudou seu “Uh-huh” para “Fuck off” e Mick foi de “Okay” para “Suck cocks in hell”. Estas frases foram endereçadas para Brian? Você pode falar mais destas gravações?

S - Não, não era nada pessoal, estávamos apenas nos divertindo.

 

P - Desde que você deixou o Sweet, em 1982, não ouvimos mais falar de nenhuma atividade fonografia de sua parte. Mas existe um CD pirata, “First Takes and Outtakes”, com 6 demos suas. Quando elas foram gravadas e o que você tem feito todos estes anos?

S - Eu as gravei poucos anos atrás. Compus várias músicas com “Marco Delamar” e cheguei a fundar uma banda chamada “The Allies”.

 

P - Você tocou no “Benefit Concert for the Twin Towers Orphan Fund”, que aconteceu dia 28 de Dezembro de 2001, em Los Angeles. Quem planejou o evento e como foi sua participação?

S - Eu realmente não sei quem organizou tudo. Perguntaram-me se eu estava interessado e é claro que eu estava.

 

P - Durante o período que você esteve no grupo, você pode explorar toda a sua criatividade, ou ficou faltando fazer algo?

S - Não acredito que tenhamos chegado perto do potencial que estava dentro de nós. Muito controle, muitos negócios e maus contratos.

 

P - Agora, passados 34 anos do início da banda, vocês têm fãs dos 6 aos 50 anos. Olhando para trás, como você resumiria sua contribuição para a música?

S - Eu acho que o fato de nossas músicas ainda serem usadas em filmes, regravadas por bandas novas e antigas fala por si mesmo.

 

 

 

Passados 11 anos desta entrevista Steve Priest ainda está na estrada, com sua versão do Sweet, fazendo shows pelas Américas, incluindo o Brasil em 2012.

          

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